A Sexa e o Bâmbi

Conto ambundu. 

O grupo etnolinguístico ambundu vive numa grande extensão do território nacional, que se estende entre o mar do rio kwango ultrapassando o curso deste para o leste. O mesmo seguiu para sul abrangendo o baixo e médio kwanza. Mil e quinhentas (1500.000) pessoas são locutoras do kimbundu.

Variantes do povo ambundu são: Songo, Bangala, Minungu, Xinji, Holo, Kari e Kibala. A língua kimbundu domina as províncias do Bengo, Kwanza Norte, norte da província do Kwanza sul, Malange e Luanda. As línguas vizinhas do kimbundu são: a norte o kikongo, a este o Cokwe e a sul o umbundu.

A sexa e o Bâmbi

Amigo Sexa, em testemunho de amizade, convidou o compadre, Bâmbi a um passeio à sua terra. Dias depois, amigo Bâmbi, para experimentar a cordialidade do amigo Sexa, confidencia-lhe:

_ Sabes? Gosto muito da tua irmã!

Se gostas dela, espera que eu te preparo as conversas.

Amigo Sexa transmitiu a revelação a família. A rapariga anui. E amigo Bâmbi passou a namora-la.

Mais uns dias volvidos, amigo Sexa anunciou ao amigo a abalada, tinha que retornar o serviço. Amigo Bâmbi, para provar novamente a estima da casa, finge-se doente. O amigo adia a partida.

Amigo Bâmbi continua sem se levantar. Consultam-se quimbandas.

Mas todos declararam que aquilo não era doença, antes um fingimento.

_ É compadre, tu, afinal, não tens nada! Vamo-nos embora! Roga-lhe amigo Sexa.

Amigo Bâmbi suspira:

_ Estou envergonhado, compadre!

Daí a dias, fazia-se morto. Amigo Sexa prepara-se para arranjar uma tipóia esteira atada a um pau para o enterrar. Antes de sair, ainda lhe diz ao ouvido:

_ É compadre, vamos enterrar-te! porque não te levantas?

_ Auá! Enterrem-me já! Estou envergonhado!

_ Mas estas envergonhado de que? Não roubaste, não puseste crime, não deves a ninguém…

_ Deixa-me só, compadre estou envergonhado!

O corpo é deposto na tipóia. Já na altura do enterramento, amigo Sexa introduz-se na cova para acomodar o amigo.

Compadre, vamos mesmo enterrar-te! Não estas a ouvir que já te pusemos na cova? Murmulha-lhe pela derradeira vez.

– Já disse: enterrem-me! Estou envergonhado!

Mas vergonha de que? Não roubaste não puseste crime, não deves a ninguém…Vamos lá, aqui não há parvoíce! levanta-te morres mesmo!

_Hêxi! Fico mesmo! Estou envergonhado!

Perante tal obstinação, amigo Sexa sacode o companheiro. Mas nada!

Para o demover, pede aos assistentes que o enterrem também.

A família opõe-se. Eh! Eh, eh! Estava ele porventura doido ou bêbedo para querer enterrar-se vivo? Saísse do buraco, deixasse o outro, que já tinha morrido!

E amigo Bâmbi, pela sua vergonha, acabou por ser enterrado.

(Narradora: Virgínia Francisco dos Santos, sexagenária do Dondo).

In Óscar Ribas, Missosso vol I, 2009, Lisboa, edição Ministério da cultura, pag 81.

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