Literatura oral em Kikongo

A oralidade é o conjunto de práticas e ações, que têm como objetivos transmitir fatos e elementos da cultura de um povo de geração á geração. Logo ela transcende o tempo e o espaço, com características bem patentes no seio do povo que a veicula, na medida em que as crenças e os valores de um povo são transmitidos oralmente e permanecem.

A oralidade transcende o tempo, porque são as mesmas práticas, os mesmos elementos culturais que cada geração absorve e transmite a outras, para edificar e preservar a sua própria cultura. Transcende o espaço porque um grupo cultural, mesmo estando fora do seu habitat, consegue agir dentro das normas que regem o grupo, embora, às vezes, haja uma necessidade de se socializar para se padronizar à nova sociedade que os acolhe por forma a evitar conflitos e possível reclusão social.

A oralidade pressupõe permanência de uma cultura, que é passada de boca para ouvido, ao longo dos tempos, embora não sendo de uma maneira fiel em alguns casos e situações, em que vão surgindo pequenas mudanças, fruto da convivência com outros povos e o acesso a outras culturas, principalmente a ocidental.

Nos Bakongo, onde todas as suas crenças, os seus valores, o seu imaginário e os hábitos e costumes foram sempre transmitidos oralmente, em lugares como rodas e serões, rituais e no dia-a-dia. Para eles, a oralidade constitui uma premissa base para a edificação do homem novo, e a preservação da usa identidade, e um fator importante na conceção de uma visão do mundo, ou seja é na oralidade, onde perpetuam toda a sua vivência, a maneira de estar que se identifica com a sua própria cultura.

Literatura oral Kikongo – é a expressão verbal e gestual de toda manifestação artística, literária e cultural do pensamento do povo Kongo.

A literatura oral Kikongo possui um rico manancial, onde nós somos chamados a usufruir e beber dessa filosofia e dos seus conhecimentos, que se apresentam inesgotáveis para edificarmos a nossa própria personalidade ir buscar uma identidade caraterística do nosso povo. Também temos o dever e obrigação de intervir para podermos preservar e adequá-la, aos dias de hoje, nesse mundo globalizado. É claro que há situações que não mudam, momentos que se vivem abraçados à cultura, como que amarrados. No entanto, já faz parte de nós, porque são carregados de simbologia, como é nos diversos rituais que caraterizam a cultura Kongo.

Todo o saber do povo Kongo é, e sempre foi transmitido oralmente: daí a importância da memória coletiva, como único recurso para armazenar e preservar o conhecimento às gerações futuras. Aqui os mais velhos jogam um papel importante, porque são considerados os mais sábios, já que veem acumulando conhecimentos ao longo dos tempos, fruto da sua própria experiência. Por isso se diz, que em África, «quando morre um velho queima-se uma biblioteca».

Na verdade a cultura Kongo está assente num conjunto de preceitos que se encontram consagrados através de ditos e provérbios como por exemplo: «Longa mwana kwenda ku zandu, ku longi mwana tuka ku zandu ko». (Ensine a criança que vai à praça e não aquela que vem da praça).

In («A Canção festiva e funerária em kikongo – Estudo temático», monografia apresentada para a obtenção do grau de licenciatura) Domingas H. Monteiro

One comment on “Literatura oral em Kikongo

  1. janilson Py
    25 de Abril de 2013 at 9:39 #

    Uau, és mesmo uma óptima blogueira..

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