O CÃO E A LEBRE

Antigamente o Cão e a Lebre eram grandes amigos, a diferença residia apenas no facto de que o Cão era um animal doméstico e a Lebre, selvagem. No decorrer do tempo, a Lebre sentiu a necessidade de apresentar a sua família ao seu grande amigo, o cão. Daí o desejo da Lebre foi realizado, o Cão foi até a selva e lá teve o privilégio de conhecer toda a família do seu grande amigo.

Passando algum tempo de convivência entre os animais de todas as espécies e tamanhos, sem nenhum problema e descriminação, todos eles decidiram então organizar uma reunião para escolher o grande chefe dos animais, já que naquela época os animais viviam sem distinção em todos os aspetos, e sem um líder que os dirigisse. A reunião foi marcada para um Sábado na Kubata do velho Cágado, já que esse também estava encarregue de presidir a mesma reunião, por ele ser um dos animais mais respeitado por todos, pela sua inteligência, calma e prudência em resolver os problemas no seio dos animais. Não tardou muito, no local, dia e na hora combinadas estavam todos os animais reunidos e expectantes, quem seria o chefe dos animais? Muitos deles por ansiedade ou mesmo por viverem em aldeias distantes chegaram mais cedo, três dias antes.

No momento em que o Velho Cágado preparava as condições para começar com a reunião, já que todos os animais começando do menor ao maior, estavam todos reunidos em prol de um fim, que era a eleição de um animal que chefiasse o grupo, e quase todos os animais participantes na reunião estavam cientes e fieis em eleger o Cão como o seu chefe, pós este era um animal muito obediente e respeitoso com os outros, a Lebre sai do seu lugar e vai até onde estava o Velho Cágado e pergunta-lhe:

– Então mais velho Cágado! Estou um pouco preocupado com as especulações a volta disso tudo, quem será o nosso grande chefe?
Os outros animais que estavam ao lado do Velho Cágado, reponderam em coro, que o único animal que tinha as qualidades de ser o chefe era o Cão.

Espantada, a Lebre retorquiu:

– O Cão! Aquele animal sem higiene e atoa, que come tudo que vê em qualquer canto! Esse mesmo é que vocês pensam em dar a coroa?
De novo os animais responderam, que seria mesmo o Cão e que já estava resolvido e alertaram a Lebre, que não se opusesse ou comentasse o caso. Com isso a Lebre sentiu-se derrotada pela maioria e aceitou de uma forma superficial a decisão da maioria, e no fundo do seu coração estava pronta em pregar uma partida, que impedisse a eleição do Cão como o chefe e arranjou uma grande armadilha infalível, e não tinha como o Cão não cair nela.

No meio da multidão, a Lebre notou que estava prestes a começar a reunião e pediu a todos um minuto de ausência, pois precisava ir a mata fazer as necessidades (maior), e todos os animais, principalmente o Velho Cágado, aceitaram a saída da Lebre. E o Velho Cágado deu uma ordem de que não se iria começar a reunião na ausência de um animal, qualquer que seja, pois os benefícios e os problemas da eleição serão de todos e sem exclusão, com tudo isso houve a necessidade de aguardarem até a chegada da Lebre, sem saberem das suas más intenções.

A Lebre assim que saiu começou a recolher todos os alimentos podres e outros objetos consumidos por aqueles animais que já estavam aí a três dias a espera da grande decisão, juntou tudo e colocou-os num saco e fez uma perfuração para que evaporasse um grande cheiro e direcionou atras da Kubata do Velho Cágado em direção ao Cão, para que esse inalasse o cheiro horrível e ir até ao local do saco para cair na armadilha. Após a conclusão do seu pequeno grande trabalho, pensou então voltar ao lugar da reunião, para que os outros não sentissem o cheiro e destruíssem a armadilha.

– Ho! Ho! Ho! Desde aquela hora que saíste só chegas agora? Perguntou o Velho Cágado.

– Sim! Sim! Mais Velho Cágado! É que estava com alguns problemas digestivos, mas graças a Deus está tudo bem. Disse a Lebre ao Velho Cágado
– Tudo bem! Agora podemos começar com o que nos trouxe nesta reunião. Disse o Velho Cágado para a multidão.

O Cão não resistindo ao forte cheiro que vinha atrás da Kubata, “pois a vontade era mais forte do que a razão”, naquele momento a última coisa que ele queria era encontrar onde saia aquele cheiro horrível, mas para ele preferível. Com toda tentação e resistência, sentiu-se derrotado com a vontade que o assolava e decidiu, mesmo em cima da tomada da palavra do Velho Cágado em anunciar o nome do grande chefe escolhido pela maioria dos animais, pedir o seguinte:
– Mais Velho Cágado! Com todo respeito, e peço encarecidamente as minhas desculpas por te cortar a conversa, mas deem-me só um minuto de ausência!

O Velho Cágado respondeu:

– Oh Cão! Estamos prestes a anunciar o nome do chefe dos animais e tu vens dizer-me que queres sair? Assim aonde vais agora?
O Cão como de sempre muito humilde e respeitoso, com a grande capacidade de comover os outros, disse:

– Vou fazer algo muito rápido! Que não posso deixar para depois da eleição, porque não sei o que será de mim se não realizar este desejo, ordenado pelos meus antepassados, neste momento!

Após tantos minutos de insistências, o Velho Cágado deu a permissão para que o Cão saísse e que não demorasse muito tempo, aí ele foi a procura de onde vinha o cheiro que o assolava os seus pensamentos, caminhando, caminhando em direção de onde vinha o vento que transportava o cheiro, chegou ao destino, e encontrou um saco bem amarradinho e cheio de comidas podres, sem pensar duas vezes desamarrou o saco, sentou-se e pôs-se a comer.

Na reunião, os animais todos bem reunidos começaram a cochichar a ausência do Cão, já que o tempo previsto da sua chegada estava esgotado, e esse nada!
Os animais mais barulhentos na reunião perguntaram:
– Onde se meteu este incompetente? Desde aquela hora que saiu até agora não chega!
– Eu mesmo não disse! Esse gajo não merece ser chefe! Agora assim temos de ir a procura dele. Sugeriu a Lebre, visto que o seu plano estava a correr como planeado.

Assim todos os animais meteram-se em andamento, a procura do Cão, cada um com o seu destino, a procura do Cão, mas a Lebre, porque foi ela que preparou a armadilha, não se deu muito trabalho de procurar, apenas foi até o local da armadilha, para ter a certeza de que a vitima estava mesmo lá a saborear tudo.

Chegou a uns metros de distâncias do lugar onde estava a armadilha e viu o Cão bem sentadinho a comer, a Lebre muito orgulhosa e alegre pôs-se a correr em busca dos outros animais, para verem o que o Cão estava a fazer.

Chegando a reunião, em voz alta perguntou a Lebre aos outros animais:
-Conseguiram encontrar o paradeiro do Cão? Os outros animais responderam: Não! Não o encontrámos! Mesmo girando toda aldeia, nada! Interrompendo a conversa a Lebre disse:

– Vocês não o encontraram! Mas na esquina aqui detrás onde fui, o encontrei e está muito bem lá!

A multidão admirada perguntou:

– Dizes-nos então onde ele está! Porque já estamos cansados de esperar e muitos de nós deixámos família muito longe daqui.

A Lebre, aproveitando-se do momento, começou a inferiorizar o Cão, dizendo que já tinha avisado a todos que o cão não seria o ideal na liderança dos animais e disse mais:

– O gajo do Cão está aí atras da kubata do Velho Cágado a comer o lixo da comida dos visitantes. Vão lá ver o trabalho que ele está a fazer. É este o animal que vocês querem dar a kajinga (coroa)?

Todos os animais da aldeia, direcionaram-se até onde a Lebre indicou, e lá ficaram muito espantados e de boca aberta, ao ver a forma como o Cão se rebolava com o lixo horrível de comida. Mas ainda alguns animais depositavam confiança e esperança nele, e começaram a chama-lo, mas este envergonhado vendo os animais todos, ignorou, como se não estivesse a ouvi-los e deu-lhes uma olhada, mostrando o seu focinho e dentes todo sujo com o lixo. A partir dai todos os animais que confiavam nele, ficaram desiludidos e se retiram, notando assim que o Cão com essas atitudes não daria para ser o chefe dos animais.
Depois de algum tempo os animais todos saíram do local e dirigiram-se a kubata onde estavam, e decidiram assim eleger outro animal como chefe, com aquele todo episódio o Cão com a sua vergonha, decidiu já não participar mais na reunião. E aí elegeram o Elefante como o chefe dos animais, através da sua robustez física e lealdade com os outros.

Por Minany Pena

 

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