ENTREVISTA À ARTISTA PLÁSTICA ANA PAULA BERTEOTTI.

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Ana Paula Ferreira Berteotti, nasce em Angola (Luena), em 1963. Chega a Portugal em 1976, na sequência da guerra, e vai residir para Viana do Castelo.

Em 1978, estabelece-se em Esposende, onde frequenta os estudos secundários e onde reside até hoje.

Em 1988, trabalha como escriturária da Escola Secundária Henrique Medina – Esposende até 1994.

Em 1994, é nomeada Escriturária dos Registos e dos Notariados na área do Registo Civil, exercendo ainda hoje essas funções na Conservatória do Registo Civil de Barcelos.

Exposições:

2007- Exposição individual na Biblioteca Municipal de Barcelos.

2007- Exposição coletiva na Escola Secundária Henrique Medina, Esposende.

2008- Exposição coletiva nos Bombeiros Voluntários de Barcelos.

2008- Exposição coletiva na Casa da Juventude de Esposende.

2009- Exposição individual em Straubing, Alemanha.

2009- Exposição individual Casa de Juventude de Coimbra, integrada nas festividades do dia de África a convite da Casa de Angola de Coimbra.

2009- Exposição individual Casa de Juventude de Coimbra, integrada nas festividades do 11 de Novembro a convite da Casa de Angola de Coimbra.

2009- Exposição na Bienal de Bragança “Mascararte”.

2010- Exposição individual no Restaurante Marinhos, Porto.

2010- Exposição individual integrada na festividade do dia internacional da mulher Africana, no Centro Hub de Paranhos.

2011- Exposição individual na Casa Luso Angolana, Porto.

2011- Exposição individual integrada na semana cultural na Junta de freguesia das Marinhas, Esposende.

2012- Exposição individual integrada nas festividades do 11 de Novembro, realizado pela Embaixada de Angola, no Pátio da Galé, Lisboa.

MW – Qual foi o seu primeiro contato com as artes plásticas?

PB Sempre gostei de trabalhos manuais. Comecei por me inscrever num curso de artes decorativas, pintava madeira, porcelana e barro, depois de algum tempo constatei que aquilo já não me satisfazia, e sentindo que podia ir muito mais além, comecei então a pintar telas a óleo, introduzindo posteriormente outros materiais.

MW – Em que momento se sentiu reconhecida como artista plástica?

PB – Não sou reconhecida como artista plástica. Normalmente as pessoas têm a tendência de me chamar pintora, contudo não me considero como tal, prefiro que me chamem artista plástica que é mais abrangente em relação àquilo que faço.

MW – Como artista plástica, qual é a sua formação de base?

PB – Considero-me autodidata. Para aperfeiçoamento da técnica, frequentei atelier de pintura dos mestres David Batos e Jorge Curval, onde aprendi técnicas de pintura e escultura contemporânea. Posteriormente fiz um curso de cerâmica e de decoração de interiores, que é outra forma de arte.

MW – Participa de alguma associação artística?

PB – Não. Gostaria de pertencer a associação dos artistas angolanos, contudo informaram-me que só o poderia fazer estando em Angola.

MW – Existe alguma técnica em que se especializou? Faz outras experimentações?

PB – Não. Sim, embora goste de um determinado tipo de técnica, considero que a atividade de um artista não é uma coisa estática, um artista é um mutante, a nossa mente está em constante contemplação, não só pelo que vemos mas também pelo que vivemos num determinado momento da vida, então essa busca obriga-me a fazer experiências com vários materiais, que às vezes resultam bem, e outras vezes menos bem, mas o importante é o sentimento que o artista transmite em forma de arte. E a experimentação traduz-se numa forma de crescimento do próprio artista.

MW – Onde expões os teus quadros e como podem ser adquiridos?

PB – Normalmente em exposições individuais ou coletivas, e no meu atelier. Podem ser adquiridos contactando-me para o e-mail (apaulaberteotti@gmail.com).

MW – Que tipo de relações mantem com os artísticos plásticos nacionais?

PB – Com alguns artistas nacionais, apenas relações cordiais.

MW – O que acha de subsídios oficiais para a produção dos artistas? Tem recebido algum subsídio do estado ou de uma entidade privada?

PB – Acho que o nosso governo deveria apoiar mais os artistas plásticos, tendo em conta que a identidade e o respeito de um país, revela-se na sua arte cultural. E um povo sem um acervo de conhecimentos culturais de arte e memórias não tem referências que lhe permitam projetar-se no futuro. Não tenho qualquer ajuda, todo o meu acervo é por investimento próprio, o que por vezes é muito complicado gerir os gastos.

MW – Quais são as suas influências? Algum artista ou artistas lhe serviu de inspiração para o seu trabalho ou lhe incentivou a produzir arte?

PB – É assim. Influências, todos nós temos, e só se é artista, porque em algum momento da nossa vida tivemos uma vivência que nos influenciou positivamente e nos leva a tentar seguir o mesmo percurso. Gosto de Pablo Picasso, Salvador Dali, Malangatana.

MK – Até que ponto, o estar fora de Angola influência positivamente ou negativamente na sua produção artística? 

PB – Provavelmente se estivesse a viver em Angola o meu percurso de vida seria diferente. O facto de não viver no país de origem, despertou em mim uma consciência maior da nossa cultura, valorizando mais as pequenas coisas e os detalhes da vida quotidiana, o saudosismo transporta-nos para uma realidade inatingível, obrigando-nos a pensar e transpor para a tela essas memórias e esses sentimentos.

MW – Fale-nos sobre o ensino de arte nas escolas.

PB – Na minha opinião é de extrema relevância o ensino da arte nas escolas. Todos ganhariam com esta aprendizagem, este tipo de ensino não só possibilita o acesso à cultura, como torna as pessoas com uma maior capacidade de abertura para qualquer tipo de aprendizagem. Deveria existir em Angola uma escola superior de artes.

MW – Neste momento tem a palavra, dê a sua opinião ou alguma informação que não foi revelada pelas questões anteriores e que considere importante.

PB – Seria importante haver um maior intercâmbio entre os artistas plásticos locais e os da diáspora, haver uma troca de experiências, debatendo ideias, apresentando projetos que de alguma forma pudessem enriquecer a nossa cultura.

MW – Como artista plástica, que mensagem deixaria para os jovens angolanos que queiram iniciar-se nesse ramo artístico?

PB – Digo o mesmo que digo aos meus filhos, nunca devem desistir de correr atrás dos vossos sonhos, devem acreditar em si próprios, e de uma forma estruturada tentar alcançar os objectivos com dignidade em qualquer área.

Por Domingas Monte

 

 

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