Os Bakongo e os ritos festivos

Não podemos estudar os ritos festivos sem antes nomeá-los, na medida do possível. Por isso, são ritos considerados festivos os seguintes: o nascimento o casamento, a circuncisão (masculina e feminina) e a colheita em algumas sociedades. Por cada um destes ritos, as canções a entoar diferem de um para o outro.

Quando nasce alguém na família e na sociedade, podem entoar-se músicas de agradecimento a Deus e de alegria pelo engrandecimento da família em particular e da própria sociedade em geral. Se forem gémeos, as canções podem conter palavras e gestos obscenos obrigatórios para o efeito sem lesar a sensibilidade de ninguém nem ter problema com o pudor social.

No caso de casamento, tradicionalmente falando, era um grupo de mulheres maduras e experientes que acompanhavam, cantando alegremente, as músicas na entrega oficial da noiva ao seu noivo. Assim se forma uma nova aliança, onde se vai legitimar uma nova família, rica e que une linhagens.

Para Mulago, o matrimónio não só diz respeito a uma pessoa – o rapaz ou a rapariga. Os dois grupos a que pertencem estão ali comprometidos. Dois jovens que casam fazem-no enquanto membros de duas famílias, de dois clãs, e, deste facto, nasce a dimensão comunitária e social. (Altuna, Raull Ruiz de Asùa, 2006:301)

Para o Mukongo, o matrimónio é um facto à dimensão de todos porque todos estão envolvidos, tanto as famílias dos noivos como toda a comunidade pois significa crescimento, não só das famílias em si, mas, de toda uma comunidade que vive na participação social.

Com a realização da maternidade e paternidade, atingem a plenitude e com isso adquirem um status social admirável:

 A fecundidade emancipa o homem e a mulher. A sociedade reconhece-o. Gerar novas vidas é a maior aspiração do Bantu. Porque viver é criar e continuar a vida, dom de Deus, que recebeu através de gerações através de gerações de antepassados atentos a esse tesouro. Por isso é a obrigação moral mais grave. (Altuna, Raul Ruiz de Asùa, 2006:305).

O encerramento do processo matrimonial só termina aquando do nascimento do filho e se ele sobreviver, o casal continua com a sua vida normal, mas se morrer aí já vão surgir os problemas, porque morrer sem deixar filhos é o maior mal que pode existir. Para o Mukongo, o prolongamento nos nossos filhos é o garante da continuação da sua vida  e dos seus antepassados aqui na terra e uma grande felicidade enquanto membro de uma comunidade.

Nos dias de hoje, a noiva é acompanhada por um grupo de crianças e/ou adolescentes: as chamadas damas de honra e fazem-no dançando, com canções religiosas primeiramente e depois outras canções mundanas. Elas são tocadas e ouvidas de um rádio gravador. Elas normalmente apresentam-se duas vezes antes ou depois da noiva, dançam uma canção para em seguida apresentarem-se com a noiva. A alegria é grande e espalha-se por todos os lados contagiando toda gente.

Aquando da circuncisão os «mancebos» com os seus mestres eram também obrigados a entoar músicas circunstanciais para o fortalecimento e a adaptação ao novo estado de vida deles.

Para as colheitas, também músicas foram e são sempre entoadas em sinal de agradecimento a Deus provedor de tudo para os cristãos ou aos deuses na sociedade animistas.

In («A Canção festiva e funerária em kikongo – Estudo temático», monografia apresentada para a obtenção do grau de licenciatura) Domingas H. Monteiro

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