Lágrimas de crocodilo

Lágrimas de crocodilo disseram eles
Quando viram meu rosto encharcado
Com umas mãos reles
Corpo semi morto e abandonado
Troçaram
Zombaram
Chamaram-me nomes
Uns que era P…
Outros L…
Outros ainda que era B…
Vi-me cercada por uma multidão
Insensível, cruel e sem compaixão
Enfim… Abandonaram-me

Será…
Será que são mesmo lágrimas de crocodilo?
Não…
Não sabem o que se passa
No meu muxima
Como ele está cheio de mambu
Não sabem que venho percorrendo
Os bairros dessa Luanda imensa
Do catinton ao cazenga
De cacuaco ao sambizanga
A procura de um pouco de quê
Qualquer coisa para comermos
Meus filhos choram, minha mãe também
E tu ainda me tratas com desdém

Não…
Não conhecem a minha real situação
Vou desnudar-me completamente
Vou abrir o meu coração
Para mostrar-vos
Como ele sangra
Vou despir minha mente
Para mostrar-vos
Como ela está enferma
Pecaminosa e até criminosa

Por: Domingas Monte

One comment on “Lágrimas de crocodilo

  1. António Bondoso
    14 de Outubro de 2013 at 20:29 #

    Muito interessante e uma excelente “porta” para nos conhecermos melhor.

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