Batuque

Batuque… Batuque… Batuque…
Batuque… Tuque… Tuque… Tuque

O batuque tocou
Ao som da marimba
E o corpo da negra
Dança e ginga

O branco gostou
E com ela dançou até madrugada
Quando o sol raiou

E à luz da fogueira
Um olhar se trocou
E do seu lindo olhar
Se enamorou

Seus corpos rolaram
No calor da noite
Amor existiu
Mas ninguém viu.

Foi noite após noite
E a coisa aqueceu
E tempos depois
Mulatinha nasceu

Pai tuga assumiu
E a menina educou
Sem bairro de lata
E sem sua cubata

A linda mulata
Sua mãe estranhou
Mas seu pai que amou
Por aqui ficou
E a menina chorou…

Batuque… Batuque… Batuque…
Batuque… Tuque… Tuque… Tuque

In «Pensamentos de Ninguém» de Alexandrina Freitas Silva 

3 comments on “Batuque

  1. Alexandrina Silva
    20 de Janeiro de 2014 at 21:37 #

    Um dos meus mais belos poemas, do meu livro Pensamentos de Ninguém. Agradeço sensibilizada a vossa divulgação, neste maravilhoso Blog. Obrigada, beijo

    Alexandrina Freitas Silva

  2. Domingas Monte
    21 de Janeiro de 2014 at 23:59 #

    Sim, realmente é um poema muito belo, que nos tocou profundamente. O som do batuque nos arrebatou e contagiou o nosso blog, obrigada nós pela beleza da sua poesia. O nosso compromisso é com África, com os seus autores, a sua linguística, a sua literatura e a sua cultura.

  3. Alexandrina Silva
    30 de Julho de 2019 at 14:55 #

    Muito obrigada querida Domingas, todo o ser humano, gosta de ser admirado e eu estou muito feliz.

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