A Lagoa de Avô Leão

Avô Leão chamou todos os animais e disse-lhes:

– Precisamos ter uma lagoa aqui perto. Onde vamos beber é longe. Abram todos um grande buraco, que as chuvas depois o encherão.

Os bichos acharam bem. E cada qual, com a sua enxada, começou a cavar.

Na época das chuvas, o buraco se encheu, uma lagoa se formou. Avó Leão mandou avisar a todos: Já podiam ir buscar água.

Amigo coelho, apesar de não ter trabalhado no reservatório, foi o primeiro a aparecer com a sua cabaça. Encheu-a uma vez, encheu-a duas vezes encheu-a três vezes. Encheu-a por seis vezes. Depois, meteu-a na lagoa.

“Carretamos, estragamos. Carretamos, estragamos.” Fuco-fuco-fuco! Banhava-se em prazenteira galhofa.

No dia seguinte, os outros também foram com as suas cabeças . Vendo que a água estava suja, apresentaram-se a Avô Leão, a participar o sucedido. Avô Leão ordenou então ao amigo Bambi que fosse vigiar a lagoa.

A meio da tarde, amigo coelho voltou com a sua cabaça. Tirou, despejou; tirou, despejou. Por fim, toma outro banho.

Carretamos, estragamos. Carretamos, estragamos.” Fuco-fuco-fuco! Brincava ele.

Amigo Bambi, que se achava escondido, logo cantou em aviso aos companheiros:

Apesar de muita esperteza,

Apanhamos quem tem turvado a água!

Apesar de muita esperteza,

Apanhamos quem tem turvado a água!

Amigo Coelho espertalhão que é, respondeu com outro canto, simulando a voz de Avô Leão:

É nosso filho,

Deixa-o estragar à vontade!

É nosso filho

Deixa -o estragar a vontade!

Amigo Bambi denunciou-o ao avô Leão. Mas avô Leão negou haver dado tal contra-ordem. E substitui-o pelo amigo Seixa.

Voltando à lagoa, amigo Coelho, voltou a abastecer a sua cabaça, repetindo a proeza.

Em aviso aos companheiros, amigo Seixa cantou:

Apesar de muita esperteza,

Apanhamos quem tem turvado a água!

Apesar de muita esperteza,

Apanhamos quem tem turvado a água!

Igualmente na sua esperteza, amigo coelho tornou a imitar a voz de avô Leão:

É nosso filho,

Deixa-o estragar à vontade!

É nosso filho

Deixa -o estragar a vontade!

Amigo Seixa queixa-se ao avô Leão: também repudia a imputação. E substituiu-o por outro bicho.

Tal como os anteriores, sucedeu o mesmo logro. E um por um, todos os animais passaram pela vigilância da lagoa. Mas sempre pela burla do amigo Coelho.

Amigo Tartaruga, que não havia sido escolhido, não quis deixar de prestar o seu concurso. Com o seu andar vagaroso, compareceu diante o avô Leão.

– O que, tu? Tu queres lá ir? Eh! Eh! Eh! Todos os bichos com cornos já lá estiveram e fracassaram, e tu que queres fazer mais do que eles? – Ria-se avô Leão.

Teimoso em seu desejo, amigo tartaruga pediu, pediu com insistência. Embora sem fé na acção de amigo Tartaruga, avô Leão deixou-o partir.

Como das outras vezes, amigo coelho, depois de se fornecer, pôs-se na sua brincadeira. Amigo Tartaruga cantou logo:

Apesar de muita esperteza,

Apanhamos quem tem turvado a água!

Apesar de muita esperteza,

Apanhamos quem tem turvado a água!

Amigo Coelho já se preparava para responder, mas amigo Tartaruga mete-lhe a cabeça no rabo. E amigo Coelho, impossibilitado de simular a voz de avô Leão, foi apanhado e levado por todos os bichos à presença de avô Leão.

Avô Leão aplicou-lhe uma grande tareia. Amigo Coelho consegue fugir para nunca mais ser visto.

By Equipa Mwelo Weto. Recolha da tradição oral angolana.

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