O PÁSSARO E A ABELHA

O pássaro da mata (sole) e a abelha eram muito amigos. A amizade deles proporcionava-lhes uma vida completamente sadia e exemplar, não só para eles, mas, também para as suas famílias.

No decurso do tempo, o filho da abelha é atacado fortemente por uma doença grave. Naquela altura o Curandeiro (kimbanda) era a única pessoa que podia adivinhar a doença que enfermava o seu filho. A abelha toda preocupada foi a correr até ao kimbanda para encontrar um tratamento, foi orientada a trazer uma pena de pássaro.

A abelha respirou aliviada porque sabia que o produto solicitado podia ser facilmente adquirido, pois o possuidor era seu grande amigo. Tinha a certeza que o seu filho seria tratado. Foi a correr, ter com o amigo e fez-lhe o pedido.

O passáro ficou comovido e triste, pois tinha aquele menino como sobrinho e sabia que o bem paga-se com o bem, e o bom amigo é aquele que ajuda nos momentos difíceis da vida. Arrancou uma das suas penas e entregou-a imediatamente à sua amiga.

A mãe do doente com as pena na mão regressou e fez a entrega ao kimbanda para o referido tratamento. O filho da dona abelha estava às portas da morte, mas graças à solidariedade do passáro ficou salvo. Todos ficaram satisfeitos pela recuperação da vida daquela criança.

Passados poucos dias, o filho do passáro também cai gravemente doente. Correndo ao kimbanda, recomenda-lhe uma pena de abelha, pois que sem isso não se podia tratar o pequeno passarinho.

Nada mais havia a fazer, senão correr também à amiga e colocar-lhe a preocupação. A dona abelha ouviu o pedido do amigo, e pensou – tenho apenas duas asas, não posso tirar nenhuma. Tirando uma delas teria de mutilar-se por isso, negou categoricamente o pedido do amigo. Como consequência, o filho do passáro que já se encontava nos cuidados intensivos acabou por sucumbir.

A partir daquela data, os dois tornaram-se inimigos declarados. A abelha não pode aparecer diante do passáro, é perseguida até à morte. Um enxame, encontrando-se na colmeia, na cavidade de uma árvore ou noutro sítio qualquer, o passáro procura todas as formas possíveis de destruia-la. Por causa dessa sua sede de vingança, consegue dirigir o homem, em plena mata, num vai vem frenético convidando-o para destruir o inimigo, culpado pela morte do seu querido filho.

Equipa Mwelo Weto. Recolha da tradição oral angolana. 

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