Ascensão de Orguita: Madoísmo, Revolução ou Badismo?

Badi Orguita, a mãe de todas as kuduristas, como ela mesma diz, é a nova sensação do mundo artístico em Angola. Surgiu do gueto, como grande parte dos kuduristas, e vem se afirmando no mercado nacional, com o seu “Vou te arcarcar”, que já faz furor nas pistas de dança.  O fenómeno despontou do “Rangu” ou Rangel, e tem 54 anos de idade.

A sua primeira aparição na televisão foi no programa “Janela Aberta” do canal1 da televisão pública de Angola (TPA). Essa performance mostra-nos uma mulher desteminada, porém e, acima de tudo despida de preconceitos. A forma como segura o microfone, ao longo de toda a apresentação é representativo disso; [FIRMEZA].

Num primeiro olhar, pensa-se “essa tia” é uma “madó” (termo angolano para designar, pessoas que querem mostrar-se, aparecer). Porém, depois de algumas visualizações compreende-se que se está diante de uma revolucionária, incoformista natural. Aparece com suas vestes (saia comprida e lenço), de uma senhora angolana, sem embarcar em estravagâncias, próprio das cantoras mais novas; aqui a alcunha de mãe de todas as kuduristas assenta-lhe na perfeição.

Nesse aspecto, Orguita revoluciona e promove uma nova forma de olhar para o kuduro. Não, como um estilo musical marginal, mas constitutivo das nossas gentes e que move massas, onde todos fazem parte; crianças, jovens e adultos. Quantos finos e mais velhos dançam e cantam kuduro nas sentadas e nos seus quartos? Muitos! Alguns também já alimentaram esse sonho, mas nunca tiveram a coragem de Orguita. Ela é uma ARTISTA.

Para isso necessário será ser Badi, não é para qualquer um. Fomos todos “acarcados”, até ao momento estamos de queixo caído. Nisso também ela foi assertiva. É dum assombro invulgar o nome dela, “Badi Orguita” e a música de estreia “Vou te Acarcar”, acabam por representar tudo o que já foi referenciado atrás, que se pode resumir numa palavra; CORAGEM. Não foi coincidência, aí está à genialidade do/a artista, como afirma James Joyce “os génios não cometem erros. Os seus erros são sempre voluntários e dão origem a alguma descoberta”.

Portanto, podemos afirmar que Badi Orguita, mãe de todas as kuduristas, “acarcou” madoísticamente todo mundo, para tal é preciso ser badi.

Por: Domingas Monte

 

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