Kuduro: Um breve olhar

Por: Sérgio Van-dúnem

O kuduro é, sem dúvidas, o estilo mais angolano que existe. E é por este motivo que se tornou no ópio que corre nas veias de todo o povo Angolano. É incrível a forma como ele toca nas almas das pessoas (crianças, jovens e senhores) com um simples toque das músicas “lhe avança”, “estou a cair com cadeira”, “estou a partir cama”, “toque do naná”, “vou matar lá um” ou “abri o livro”. Um estilo – que antes era marginalizado e considerado acolhedor de marginais e drogados – hoje é um dos mais conhecidos além-fronteiras e que livrou também muitos jovens do mundo das drogas, do roubo, da bandidagem, enfim. Começou com a geração dos animadores (Toni Amado, Sebem, etc.), passou pela geração de rimas (Os Lambas, Puto Prata, etc.) e foi crescendo cada vez mais. É um estilo, como qualquer um, onde cantam homens e mulheres. Nele tudo pode acontecer, desde os “biffes”, a forma como cantam e como dançam, que são as mais contagiantes. Antes só havia uma forma de dançar o kuduro, a que se chamava “andergronde” e que se parece mais com a palavra de origem inglesa – “underground” – cujo significado é “debaixo do solo” ou “subterrâneo” – talvez seja por isso que, ao dançar, os bailarinos se jogam ao chão, dão mortal sobre os tectos, partem-se cadeiras sobre o corpo e até chegam a mastigar cacos de garrafas. Por ser um estilo uniforme, surgiram várias meninas no movimento desde a Fofandó, Noite e Dia até a mais recente Badi Orguita, que com a sua carga feminina, sem vergonha e preconceito por parte de algumas pessoas, apareceu para “acarcar” todos os kuduristas, especialmente as meninas. E não é que ela acarcou mesmo! Badi Orguita é, sem sombras de dúvidas, alguém que veio provar à sociedade que não há uma idade própria para emergir no mundo da música, em particular o kuduro. O seu “acarque” foi tão forte que não precisou de muito tempo para que se tornasse a manchete e destaque em todas as redes sociais (sobretudo no Facebook,WhatsApp e Instagram). Ela é mais uma que veio aumentar a tensão que se vive entre as kuduristas, impondo a sua posição no movimento, mesmo sendo a que menos se veste ou a que menos aparece nos principais palcos da nossa praça. O que dizer mais sobre o kuduro após a aparição da Badi Orguita? Bem haja a todos aqueles que lutam em prol do kuduro e da cultura angolana!

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