O KUDURO E A MODA

Por: Rosa Camolaquenda

Kuduro, o ritmo dançante que envolve Angola e arredores num clima de muito espetáculo e factos curiosos. Teve o seu surgimento em Luanda-Angola nos finais dos anos 90, aquele que anos depois se tornava no maior e mais conhecido estilo de música e dança do país teve como seus pioneiros Tony Amado, Sebem, Virgílio Fire e tantos outros que depois foram aparecendo.

Começou com as paranoias de Sebem, que se resumiam em dicas por cima do beat e alguns coros bem improvisados, com o passar do tempo o estilo foi evoluindo para uma forma mais cantada que falada.

O Kuduro é também conhecido como um estilo de música repleto de emoções, desde divisão de bairros, polémicas, beefs, à confusão entre Municípios e lutas. O Kuduro é um estilo de dança e música que foi quase sempre marginalizado, tudo isso devido aos antecedentes dos seus fazedores. Muitos dos Kuduristas antes de começarem a cantar eram delinquentes, andavam em caminhos nada saudáveis e tinham a cadeia como sua segunda casa, encontraram no Kuduro o conforto, a melhor forma para expressarem-se e acima de tudo passar o seu testemunho para que outros não se envolvam no mundo da confusão; tais Kuduristas tiveram o estilo como refúgio e escape para os seus mais diversos problemas.

A sociedade em si continua sem, portanto, reconhecer alguns deles como artistas no verdadeiro sentido da palavra, pois para muitos, alguns Kuduristas não passam de delinquentes que usam a música, a dança e os palcos para esconderem os seus maiores e reais pecados.

Todo Kudurista é original, e conseguimos notar isso desde o corte de cabelo, a maneira de falar, andar, cantar, gesticular e principalmente a maneira como se vestem; é aí onde a moda entra; kuduristas como Nagrelha dos Lambas, Panda da Lei, Rei Loy e tantos outros, são conhecidos pela sua forma peculiar de aparecerem com o cabelo pintado a loiro,outros como Papá Sweg conhecido por andar devagar, ou os Namayer e o grupo Turbantes que têm a sua forma meio estranha de falar (o que Cef atualizando chamou de Linguagem Xtru) sempre causou imbróglios para uns e para outros nem tanto. A verdade é que, no mundo do Kuduro toda gente faz a diferença, a originalidade é vista como uma tradição que ninguém pode quebrar, e a vestimenta não foge a regra.

Kudurista é versátil, usa calças, saias, macacões, vestidos e colãs; sua apresentação é “cheguei” tem furos de piercingse brincos incontáveis, tatuagens que muitas vezes não se conseguem ver ou perceber o seu significado, e um espírito de “não se importar” com o julgamento dos outros pois o estilo em que estão inseridos e a arte em si, assim o permitem. Muitas vezes os padrões da sociedade em termos de vestuário e palavreado são atropelados pela conduta dos Kuduritas, mas os mesmos defendem-se; todo artista é livre de criar, incentivar ou recriar uma nova forma de agir ou pensar.

O Kuduro é o estilo do século, é uma forma de música e dança que não sai da moda, quando pensamos que vai cair na rotina aparecem dos nossos subúrbios novas vozes, novas caras e novos toques para nos alegrar. Como o titulo do último álbum de Kuduro de Nacobeta e Puto Português, lançado em 2010/2011 faz menção “Kuduro é Vida”, Angola não é a mesma sem “Vamuh lá”, “Do Milindro”, ou “Sobe” do Nagrelha, todo cantor de Semba e Kizomba em algum momento do seu show dá uns toques de Kuduro.

Kuduro é sentir o gueto na veia, dançar até cair com a cadeira, Kuduro é alegria, é saltar, rebolar, cair e morrer de rir. Embora com a delinquência sendo seu principal ponto fraco, as músicas sem mensagens, a promiscuidade no vestuário e no linguajar, o Kuduro é um estilo que cria o seu próprio estilo. Já vimos Kuduristas a desfilarem e a serem vestidos por grandes estilistas do país que abraçam a causa de vesti-los de forma diferente e muito colorida.

A sociedade sempre vai criticar o estilo e os seus fazedores, mas em cada música que ouvimos, em cada vídeo que vemos, notamos a vontade e a dedicação de muitos em continuar, e verdade se diga, se esse estilo não parou no princípio com a polémica sobre o nome “Ku-duro”, não será agora que rompeu fronteiras que vai parar. No final de tudo, acabamos nos aturando uns aos outros (os que gostam e os que não gostam de Kuduro) e aceitando que o estilo é nosso e querendo ou não é aqui que vai permanecer. Kuduro, o ritmo que une o país numa imensidão de emoções e sentimentos, o estilo que une mentes (Bruno M) e cientes (W King).

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