SÚPLICA

Mulher formosa, de celeste encanto,

meu bem, meu anjo, minha querida;

deixa-me um beijo em teus lábios depor,

se queres, virgem, animar-me a vida.

Um beijo! um beijo! dessas fazes lindas,

pode um céu entreabrir, sem fim…

Deixa, donzela, co`um beijo dos teus

calar meus prantos, minha dor, enfim.

 

Um beijo! um beijo! é das q`ridas almas

o almo fogo dum calor divino…

Pra, virgem pura, me fazer`s ditoso,

ai! só te basta recitar um hino.

 

Um hino! um hino! que dos anjos tenha

melífluos cantos de prazer, sem fim;

e quando a lua refulgir nos céus

“amor” dizer-me recostada a mim…

Luanda, 1876

J. D. Cordeiro da Mata, in “Délirios”.

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